domingo, 16 de junho de 2013

Copa das Confederações expõe 'falta de planejamento' em Recife

Arena Pernambuco / AP
Arena Pernambuco foi o último dos seis estádios a ser entregue
A estreia oficial de Recife na Copa das Confederações, que sedia neste domingo um dos dois jogos do segundo dia do torneio, entre Espanha e Uruguai (o outro é Itália e México, no Maracanã), expõe alguns dos principais problemas e lacunas no planejamento urbano da cidade – uma das mais atrasadas nos preparativos para o Mundial de 2014.
O início da partida está previsto para ocorrer às 19h (horário de Brasília) na Arena Pernambuco, que, ao contrário de outras cidades-sedes da competição, está localizada em um município vizinho, São Lourenço da Mata, a cerca de 20 quilômetros do centro da capital pernambucana.

Inicialmente, a capital não estava prevista como sede, mas foi escolhida após a proposta do governador de Pernambuco Eduardo Campos -- candidato virtual à Presidência em 2014.Na quarta-feira, a chegada das seleções da Espanha e do Uruguai foi marcada por engarrafamentos, protestos e acidentes que causaram transtorno para os moradores e para as equipes, que tiveram dificuldades para treinar, por causa das chuvas e do trânsito.
Em março, Campos afirmou que a cidade estaria pronta para a Copa das Confederações e que poderia entregar o terceiro estádio do torneio. A Arena Pernambuco foi a última das seis a ser entregue para o evento-teste da Copa do Mundo.
No material publicitário da cidade, a frase escolhida pelo governo estadual é "Recife vai marcar um golaço".
Movimentos de urbanistas da cidade, no entanto, discordam."Cautelosamente, pode-se dizer que o tiro saiu pela culatra", afirma Evanildo Barbosa da Silva, especialista em mobilidade urbana e representante do Comitê Popular da Copa em Recife.
"Passaram uma imagem de que as obras não impactariam o Recife, o que é uma inverdade. Não foi construído nada mais preventivo, nem foi feito um planejamento mais básico", afirma.
A socióloga Ana Paula Portela, uma das criadoras do grupo Direitos Urbanos do Recife, diz que a Copa das Confederações mostrou "o tamanho do problema" para os moradores. "Já acompanhávamos o impacto de grandes projetos na vida da cidade, mas a Copa dá uma dimensão maior das lacunas. De fato, muitas coisas que o governo dizia que estava fazendo, como o controle das obras de mobilidade e das vias da cidade, não foi feito".
Segundo Portela, os problemas com o trânsito são o "primeiro estrangulamento" em Recife. "No dia a dia é possível encontrar saídas para o trânsito, mas agora o governo tem que responder à agenda da Copa. E não vi resposta", critica.
"A cidade está parada. Recife já não anda e nos dois últimos dias está mais parada ainda."

Por dentro da Arena Pernambuco

Localização: São Lourenço da Mata (22 quilômetros de Recife)
Capacidade: 46 mil assentos
Custo: R$ 532 milhões
Modelo: Parceria público-privada entre consórcio e governo do estado
*Após a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, o estádio se tornará sede do Náutico
Na manhã de sexta-feira, os motoristas de ônibus da capital fizeram uma paralisação de uma hora para reivindicar reajuste salarial. O protesto tinha como objetivo "dar um recado" à prefeitura, sem prejudicar os cidadãos. Mesmo assim, a manifestação provocou engarrafamentos em diversas áreas da cidade.
Um acordo de última hora evitou também uma greve dos metroviários de Recife, que poderia afetar o principal meio de transporte -- e único recomendado pela prefeitura -- para chegar à Arena Pernambuco.

Buracos no caminho

Em coletiva de imprensa na sexta-feira, jogadores da seleção uruguaia reclamaram do trânsito na cidade, que atrasou o treino e outros compromissos da equipe mesmo com a escolta de batedores. “O trânsito atrapalhou muito. Demorar uma hora e meia para ir e uma hora e meia para voltar não estava nos nossos planos. É muito desgastante”, disse o zagueiro uruguaio Diego Lugano.
Na quinta-feira à noite, após chegar a Pernambuco, os uruguaios não conseguiram treinar por causa do estado em que as fortes chuvas deixaram os gramados dos centros de treinamento locais. No dia seguinte, a seleção chegou ao CT (Centro de Treinamento) do Sport de Recife depois de uma hora no trânsito, prejudicado por obras de última hora no trajeto. Na BR-101, trabalhadores tapavam buracos e corrigiam falhas no asfalto e no acostamento.
Também na sexta-feira à noite, um engarrafamento causado por obras de pavimentação na BR-232 - principal acesso à Arena Pernambuco - deixou motoristas parados durante até três horas. A situação piorou quando parte da BR-101 foi fechada para a passagem da seleção espanhola, que provocou o aumento do tráfego na outra rodovia.
Uruguai e Espanha / AFP
Seleções de Uruguai e Espanha, que jogam neste domingo, reclamaram de falta de estrutura em Recife
"É inadmissível que a gente tenha, em um trajeto vital para a cidade, o problema que temos agora. Mas a gestão do trecho urbano da BR-101 está sendo repassado para o Estado, porque no corredor central será construído o BRT", disse o secretário de Mobilidade Urbana de Recife, João Braga, à BBC Brasil.
O BRT (do inglês Bus Rapid Transit, sistema com ônibus articulados que trafegam em corredores especiais) é um dos projetos que a cidade retirou da Matriz de responsabilidades, porque não ficaria pronto a tempo da Copa 2014 mas será, de acordo com Braga, "um legado".

'Da água para o vinho'

O secretário de Mobilidade Urbana de Recife, João Braga, está otimista em relação ao trânsito em 2014. "Vamos mostrar uma mudança da água para o vinho na cidade", disse à BBC Brasil.
De acordo com Braga, a prefeitura identificou cerca de 40 pontos vitais de alagamento da cidade e pretende tratá-los para evitar as enchentes que, há poucas semanas, geraram imagens impressionantes. "O calendário da Fifa é europeu, mas junho não é um período bom no Brasil, é um período de chuvas. A gente vai ter muitos problemas", reconhece.
O secretário afirma ainda que até a Copa do Mundo ficarão prontos os dois BRTs incluídos na matriz de responsabilidades de Recife para a Copa, cerca de 40 km de ciclovias e ciclofaixas, sete BRS (Bus Rapid Service, corredores expressos para ônibus) e o que chamou de "o programa mais largo de calçadas que já se viu na cidade".
"O foco da prefeitura e do governo do Estado é na mobilidade das pessoas e não dos veículos", diz.
Mas o "foco na mobilidade das pessoas" a que Braga se refere é uma "assimilação do discurso dos urbanistas da cidade" que não foi acompanhada por novos projetos, segundo Mucio Jucá, arquiteto, especialista em desenvolvimento urbano e professor da Universidade Católica de Recife.
"Há um embate muito forte agora no Recife sobre questões de urbanização e estamos conseguindo ter voz junto ao governo. Percebemos é que o discurso deles incorporou o discurso dos urbanistas. Só que eles ainda apresentam os mesmos projetos que nós criticávamos", disse à BBC Brasil.
"Assimilar o discurso é um passo importante, mas elaborar novos projetos não vai acontecer até 2014, talvez só até 2020. Os projetos que nós consideramos ruins por uma série de motivos já estão em construção."

'Arena mais longe do mundo'

Jucá critica a falta de planejamento dos projetos da Copa em Recife, incluindo o acesso à Arena Pernambuco, que fica em São Lourenço da Mata (a 22 quilômetros da capital) e já desperta preocupação nos organizadores da Copa das Confederações.
"Parece que as ações foram feitas sem planejamento nenhum e a solução encontrada é decretar feriado nas ciddes para que não tenhamos um caos e para que o mundo não veja isso acontecer", diz.
Uruguai treina na academia / AFP
Por causa de fortes chuvas, seleção uruguaia teve de treinar em academia
Mucio Jucá chegou a elaborar um dos projetos da nova arena da Copa, que seria o construída entre Recife e Olinda. "A ideia era colocar o estádio dentro da cidade, para que ele fosse uma arena multiuso e para facilitar a mobilidade urbana. Essa é a ideia que se tem de um bom estádio hoje em dia"
"Quando nossas propostas foram apresentadas à Fifa, em 2009, já tínhamos estudos e levantamentos prontos e obras de mobilidade urbana relacionadas a eles, parecia que as coisas se encaixavam. Mas apareceu um projeto que ninguém tinha conhecimento de construir um estádio a 22 km da cidade. Não acreditávamos que o governo aceitaria uma proposta antiquada dessas", conta.
"Colegas holandeses me chamaram a atenção de que esse deve ser o estádio mais longe do mundo. Em minhas pesquisas, ainda não encontrei um mais distante da cidade do que esse."
Segundo Gilberto Pimental, secretário executivo de relações institucionais da Secopa de Recife, o objetivo da arena é levar empreendimentos para a região de São Lourenço da Mata. "Nesse primeiro momento ela está isolada, mas a grande aposta do governo é que ela seja a âncora para puxar o desenvolvimento para o oeste".
Ele diz ainda que o estádio pode ser uma oportunidade para "repensar o uso do metrô em Recife, que ainda não é massivo".
Na próxima quarta-feira, o governo estadual decretou ponto facultativo para evitar caos no acesso dos torcedores à partida entre Itália e Japão. A medida também foi adotada nas outras cidades-sede.
A capital pernambucana não teve protestos relacionados ao aumento das tarifas do transporte público na última semana, mas ativistas organizam pelo Facebook uma manifestação em solidariedade ao Movimento Passe Livre, de São Paulo, na próxima quinta-feira, dia 20.

Grupos de urbanistas dizem que farão na passeata o protesto que não conseguiram fazer no primeiro fim de semana da Copa das Confederações.

Camilla Costa
BBC Brasil

Embraer enfrenta grandes expectativas por novos E-Jets em evento do setor

Presidente-executivo da Embraer, Frederico Curado, na sede da empresa em São José dos Campos, a 100 km de São Paulo, 14 de maio de 2013. A brasileira Embraer, a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, vai para a Paris Air Show com crescentes expectativas para o lançamento de sua próxima geração de jatos regionais, que têm levado suas ações para perto das máximas de 5 anos. 14/05/2013 REUTERS/Nacho Doce

PARIS, 16 Jun - A brasileira Embraer, a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, vai para a Paris Air Show com crescentes expectativas para o lançamento de sua próxima geração de jatos regionais, que têm levado suas ações para perto das máximas de 5 anos.
O presidente-executivo da empresa, Frederico Curado, deve anunciar na segunda-feira planos para uma linha de jatos comerciais com novos motores entrando em serviço em 2018, segundo analistas. Após dois anos de estudos, a fabricante de aviões está preparada para revisar os E-Jets, com novas asas, aviônica atualizada, e motores turbo da Pratt & Whitney.
Os motores mais eficientes devem ajudar a Embraer a manter a liderança conquistada recentemente para o segmento de 70 a 120 assentos, afastando novos desafios como o Mitsubishi Regional Jet, e mantendo a pressão sobre versões menores do rival CSeries da Bombardier.
A grande questão é se a Embraer tem as encomendas para lançar sua nova linha com destaque. Na sexta-feira, a empresa anunciou a adição tardia de uma segunda coletiva de imprensa no evento sobre jatos comerciais, alimentando expectativas de que têm novidades para divulgar. A Embraer não quis comentar sobre a especulação.
"Na Paris Airshow você vai vê-los anunciando, provavelmente, os primeiros pedidos firmes para uma família completamente remotorizada de E-Jets", disse Richard Aboulafia, vice-presidente da consultoria de aviação Teal Group.
A decisão da Embraer de defender seu nicho atual é "muito inteligente", disse Aboulafia. "O mercado não quer novas fuselagens ou novas aeronaves, quer novos motores."
As gigantes da indústria Airbus e Boeing Co abriram uma torrente de nova demanda nos últimos dois anos, com aeronaves re-motorizadas, elevando o nível de eficiência de combustível.
A canadense Bombardier, que competiu durante décadas com a Embraer no segmento de jatos regionais, tem como foco os CSeries de 110 a 130 lugares, mas contabiliza apenas 177 encomendas.
A Embraer também pode competir com o CSeries, elevando o número de assentos do maior E-Jet, o E-195, de 110 a 120 assentos para a faixa de 130 lugares - uma opção que a fabricante chegou a estudar.
A brasileira já colocou a Bombardier na defensiva recentemente com uma campanha agressiva de vendas entre companhias aéreas norte-americanas que renovam suas frotas de aviões regionais com até 76 assentos.
A Embraer tem obtido a maior parte desses contratos ao longo dos últimos sete meses, com 117 pedidos firmes da United Airlines e das operadoras regionais SkyWest e Republic Airways - além de opções adicionais de 247 jatos.
A demanda elevou a carteira de pedidos da Embraer após ter atingido uma mínima de 6 anos e alimentou um rali de 30 por cento de suas ações na Bovespa neste ano, para seu nível mais alto desde o final de 2007.
Da Bombardier o único contrato importante dos EUA no mesmo período veio de um acordo de dezembro, com a Delta Air Lines, com 40 pedidos firmes e 30 opções para seus aviões CJR900.

É provável que a American Airlines assine o último grande contrato nessa categoria por um tempo, disse o presidente-executivo da Embraer à Reuters no mês passado.

Por Brad Haynes - Reuters Brasil

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Samsung abre unidade no quintal da Nokia, na Finlândia

HELSINQUE - A Samsung abre um novo centro de pesquisa e desenvolvimento na cidade que abriga a sede da Nokia nesta quinta-feira, um movimento que reforça a ascensão da companhia sul-coreana sobre sua rival finlandesa, antiga líder de mercado de celulares inteligentes.
A nova unidade da Samsung, a primeira da companhia na região nórdica, ficará em Espoo, Finlândia. Detalhes sobre o quadro de funcionários e planos de investimento devem ser anunciados mais tarde.
A investida acontece depois que outras empresas de tecnologia abriram centros de pesquisa e desenvolvimento no país, incluindo a chinesa Huawei e a norte-americana Intel. A empresas procuraram se beneficiar da alta concentração de engenheiros e desenvolvedores de software na região, muitos dos quais já trabalharam na Nokia ou em negócios relacionados à empresa.
Nos últimos anos, a Nokia teve que cortar recursos, dispensando milhares de funcionários e vendendo o edifício-sede de aço e vidro em Espoo, passando a alugá-lo para preservar caixa.

Dados de mercado apontam a Samsung como atual líder no mercado de telefonia global, posição previamente ocupada pela Nokia. A dominância da empresa vem sendo particularmente exercida no rentável segmento de smartphones, com a vendas de mais aparelhos no primeiro trimestre do que suas quatro competidoras diretas combinadas.

Por Reuters 

Apple avalia telas maiores e múltiplas cores para iPhone, dizem fontes

A Apple está analisando lançar iPhones com telas maiores, assim como modelos mais baratos e com várias cores, no próximo ano, disseram quatro pessoas com conhecimento do assunto.
O movimento, que ainda está sendo discutido, destaca como a empresa com sede na Califórnia está cada vez mais sob ameaça da agressiva rival sul-coreana Samsung.
A Samsung tem tirado participação de mercado da Apple com a popularidade da linha de aparelhos Galaxy, que possuem telas maiores, e com estratégia de inundar o mercado com uma série de produtos com diferentes preços.
A Apple analisa introduzir pelo menos dois iPhones maiores no próximo ano, um com tela de 4,7 polegadas e outro com tela de 5,7 polegadas, disseram as fontes, que afirmaram que os fornecedores estão sendo procurados. As fontes, porém, acrescentaram que ainda não está certo se a Apple irá realmente lançar seu principal produto em tamanhos maiores.
"Eles estão constantemente mudando as especificações do produto quase que no último momento, então não há certeza sobre o protótipo final", disse uma pessoa com conhecimento direto ao assunto.
A Apple não quis comentar.
O atual iPhone 5 tem uma das menores telas entre os smartphones mais vendidos no mercado, onde os consumidores gastam mais tempo navegando na web. O Galaxy S4 da Samsung e Galaxy Note 2 têm telas de 5 polegadas e 5,5 polegadas, respectivamente.

Para este ano, a Apple deve lançar dois novos modelos, conhecidos como iPhone 5S, e uma versão mais barata com capa de plástico, disseram fontes da cadeia de suprimentos. Apple planeja disponibilizar o telefone mais barato em 5 a 6 cores para diferenciá-lo do modelo mais caro que tradicionalmente vêm apenas em preto e branco.
Por Reuters 

Microsoft abrirá lojas do Windows dentro da Best Buy

SEATTLE, 13 Jun - A Microsoft disse nesta quinta-feira que abrirá 500 pontos de venda especiais nas lojas da Best Buy nos Estados Unidos para oferecer com exclusividade tablets e computadores que operam com o sistema Windows, assim como outros de seus produtos, em um esforço para revitalizar as vendas.
A maior companhia de softwares do mundo, que conta com sua própria cadeia de lojas, disse que a iniciativa contaria com mais de 1.200 vendedores treinados pela Best Buy, maior cadeia mundial de artigos eletrônicos, e pela Microsoft para ajudar os clientes.
O novo sistema operacional Windows 8 vendeu mais de 100 milhões de cópias desde seu lançamento em outubro, mas a venda de novos tablets e PCs que operam com o software, e seu próprio tablet Surface, não estão tão fortes como se esperava. Uma versão atualizada chamada Windows 8.1 deve ser lançada no final deste ano.

Parte do problema era o fato de que a Microsoft teve dificuldades em obter a atenção dos consumidores nas grandes lojas como a Best Buy devido à profusão e à popularidade do iPad da Apple e dos tablets que rodam com o sistema Android do Google.

Por Bill Rigby (Reuters)

Atrasos e obras canceladas reduzem legado da Copa em transporte


Obras em Fortaleza | Foto: AFP
Obras em torno da Arena Castelão, em Fortaleza, em imagem de abril deste ano
Grandes obras inicialmente planejadas para melhorar o transporte público nas cidades-sede da Copa de 2014, garantindo que o evento deixe um legado no setor, não ocorrerão ou não terminarão antes do Mundial em quatro dos 12 municípios que receberão jogos do evento. Em outras quatro cidades, atrasos ameaçam fazer com que somente parte dos investimentos previstos em transporte público sejam concluídos antes do torneio.
Pelo Portal da Transparência, da Controladoria-Geral da União, a BBC Brasil conferiu o andamento de todos os investimentos em transporte público da Matriz de Responsabilidades, documento que define o papel de governos e entidades privadas na execução de obras para a Copa. Obras na matriz podem ser contratadas por regime diferenciado, mais ágil que o habitual, e pagar menos tributos.

Com isso, essas cidades não aproveitarão o evento esportivo para executar grandes obras em transporte público. A postura é diferente da adotada, por exemplo, por Johanesburgo. A cidade sul-africana que recebeu mais jogos na última Copa do Mundo, em 2010, construiu para o evento uma linha de trem com 80 km que conecta seu aeroporto à cidade vizinha de Pretória, além de corredores de ônibus.Em São Paulo, Brasília, Salvador e Manaus, à exceção de melhorias em sistemas já existentes ou em obras no entorno dos novos estádios, todos os demais investimentos diretos em transporte público previstos para o evento foram retirados da matriz. E em Natal, nenhum dos quatro projetos de mobilidade urbana da matriz se refere a ações diretamente voltadas ao transporte público, mas sim a obras viárias, como a ampliação de avenidas.
As cidades brasileiras afirmam que, apesar da exclusão dos projetos da matriz, estão executando outras obras que melhorarão o transporte público durante e após o evento esportivo.
O Ministério do Esporte disse em nota à BBC Brasil que a Copa está possibilitando ao país antecipar obras que já estavam previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e que os investimentos essenciais para o evento serão realizados.
Afirmou, ainda, que as obras retiradas da matriz representam parte minoritária dos projetos. "Algumas obras saíram da Matriz de Responsabilidade porque os responsáveis pela execução concluíram que não ficariam prontas a tempo da realização do Mundial. Mas elas ainda serão executadas dentro do PAC e serão concluídas após a Copa."

Obras canceladas ou adiadas

Em Manaus, as duas obras da Copa em transporte público saíram da matriz: um corredor de ônibus e um monotrilho, orçados em R$ 1,5 bilhão.
Em Brasília, após a Justiça apontar fraude em licitação, o governo local também tirou da matriz a única obra em transporte público para a Copa, o trem de superfície (VLT) que ligaria o aeroporto à Asa Sul. A obra estava orçada em R$ 364 milhões.
Em São Paulo, o único investimento em transporte público da matriz também deixou a lista – a linha 17 Ouro do Metrô, que ligaria o aeroporto de Congonhas ao bairro do Morumbi ao custo de R$ 2,8 bilhões. A obra buscava facilitar o transporte de visitantes até o estádio do Morumbi, inicialmente escolhido para sediar os jogos na cidade e posteriormente substituído pela Arena Itaquera, em construção.
Salvador tampouco concluirá sua única obra em transporte público prevista na matriz, um corredor de ônibus até o aeroporto da cidade, ao custo de R$ 567 milhões.
Nessas cidades, as obras de mobilidade urbana da Copa que permanecem na matriz preveem intervenções no entorno dos estádios e, no caso de Brasília, também a ampliação de uma rodovia – que, segundo o governo local, terá corredores de ônibus.
Em outros municípios, alguns dos principais investimentos em transporte público para a Copa estão atrasados e só devem ficar prontos na véspera do evento, segundo o Ministério do Esporte.
É o caso do trem de superfície (VLT) de Cuiabá, orçado em R$ 1,4 bilhão e que ligará a capital mato-grossense ao município vizinho de Várzea Grande. A obra tem previsão de entrega em maio de 2014, a um mês da Copa.
Em Curitiba, quatro obras em corredores de ônibus, entre as quais uma linha entre o aeroporto e a rodoferroviária, também só deverão terminar em maio de 2014, de acordo com o Ministério do Esporte.
O mesmo deverá ocorrer, segundo o órgão, com os três corredores de ônibus em construção em Porto Alegre.
Em Fortaleza, as obras do trem de superfície (VLT) entre Parangaba e Mucuripe, com custo estimado de R$ 274 milhões, estão atrasadas e só devem ficar prontas em março de 2014.
No Rio, Recife e em Belo Horizonte, apesar de atrasos, todas as obras em transporte público da matriz têm previsão de conclusão ainda neste ano. Nos três municípios, bem como na maioria das outras cidades-sede, os investimentos em transporte público para a Copa se concentram em corredores de ônibus (BRT).
Para o professor de engenharia de tráfego Paulo Cezar Martins Ribeiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o sistema foi escolhido por ser mais simples de executar e barato do que linhas sobre trilhos.
Ele defende, porém, que as linhas a serem inauguradas para o Mundial sejam continuamente avaliadas após o torneio e, se necessário, reformuladas.
Ribeiro diz que o corredor Transcarioca, que ligará o aeroporto do Galeão à Penha e à Barra da Tijuca, no Rio, talvez tenha de evoluir para um sistema sobre trilhos.
Maria Rosa Ravelli Abreu, especialista em transporte da Universidade de Brasília, diz que os corredores de ônibus são adequados para deslocamentos mais curtos e com menos passageiros (para dar capilaridade ao transporte público), enquanto sistemas de trilhos como o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) são preferíveis para viagens longas e com maior demanda de passageiros.
Dentre as cidades-sede, porém, só Cuiabá e Fortaleza construirão linhas de VLT para a Copa.
Abreu critica, ainda, os vultosos investimentos de algumas cidades-sede, entre as quais Brasília, na ampliação de rodovias. "O dinheiro está sendo gasto não para a construção de um legado sustentável, mas para alargar grandes eixos rodoviários e dar mais acesso ao automóvel individual."
"Foi escolhido um prolongamento do modelo vigente, que vem destruindo a qualidade de nossas cidades".
Para José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco-SP (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia), o Brasil sente os efeitos da demora para se preparar para a Copa. No fim de 2007 já se sabia que o país sediaria o evento e, no entanto, a Matriz de Responsabilidades só foi definida em janeiro de 2010. Após a definição, houve novos atrasos e mudanças.
"A Copa vai nos deixar um legado menor do que se tivéssemos tomado providências a tempo", afirma. Apesar disso, diz ele, a preparação para o Mundial gerou um movimento que acabará por melhorar o sistema de transporte de algumas cidades-sede após o evento.

"Infelizmente não será para 2014, mas, provocados pela Copa, tivemos algumas respostas (dos governos) que se transformarão em equipamentos para a população brasileira até 2018, 2020. Mas poderíamos ter feito mais”

Por BBC Brasil